Cheguei aos 30, e o que dizer sobre isso?! Neste curto período de vida só me resta parabolar sem receio.
Andei por muito tempo sem saber que tipo de pessoa eu era.
Nessas épocas eu fui tudo, menos eu.
Foi um longo período alheio a mim.
Tive muito receio em tocar minhas sombras através do contato com o outro, e medo que o outro também as enxergassem.
Passei muito tempo isolada, calada, negando a mim mesma, me escondendo do mundo.
Mas houve um momento que precisei sair do meu casulo, a vida me obrigava a fazer isso.
Andei pela terra me maldizendo da vida. Falei e fiz muitas tolices, e assim, eu me distanciava mais de quem eu poderia ser.
Você só comprova a força do tempo quando entrega as rédeas do rumo da sua vida à ele.
Deixei que o tempo tocasse minha alma.
Perdi muitas coisas com isso, principalmente a vontade de controlar tudo na vida.
A vida é uma grande pergunta indecifrável que carrega universos e que por milênios a humanidade tenta desvendar.
Bendito dia que descobri que eu era finita e limitada nesta vida.
Foi ai que senti o peso da grande bagagem que carregava nas costas, recheada de orgulho, vaidade, inveja...
Foi uma época de muita dor. Não é fácil ter que olhar para própria escuridão.
Mas não há como fugir. Hoje eu prefiro sentir as pontadas dessa dor do que encostar a cabeça no travesseiro com a doce ilusão de achar que sei de mim e do mundo.
Não há cegueira mais grave do que desconhecer a própria verdade.
Cheguei aos 30 anos sem percorrer por completo os caminhos que eu sou, mas eu já consigo sentir as maravilhas que essa busca poderá me trazer, se assim eu continuar.
Hoje eu necessito encontrar profundidade nas coisas da vida, por mais simples ou banal que isso possa ser. Nada lá fora teria sentido se eu não conseguisse significar minha existência.
Não é fácil, não é sempre que eu consigo.
No entanto, a profunda vontade interna de querer humanizar-se, de juntar o sentimento profundo com a racionalidade, não irá cessar antes que eu supere a sublime batalha de entender a mim mesma.
Nada é tão desafiador do que mergulhar nas profundas batalhas da alma.
E no final o que ganhamos? A descoberta do próprio brilho, de pertencer a si mesma, de saber se colocar no seu lugar.
E eu garanto que essa jornada é a viagem mais incrível que um ser humano nesta terra possa ter.
A estrada é longa e a tarefa é árdua, mas tenho convicção de que um dia conseguirei me unir, como partícula infinita que sou, à misteriosa unidade que se chama mundo.
E tenho dito, ninguém deve ser condenada a ser o que era ontem para sempre.
Dentro da Lei Universal não existe isso.
Hoje eu me encontro diferente e espero que amanhã também assim eu seja.
Prazer, eu me chamo transformação.