Esse texto divulga os pensamentos do
pesquisador russo Alexander V. Chayanov, a partir do texto: Em Busca da Modernidade Social - Uma Homenagem a Alexander V. Chayanov da autora Maria de Nazareth Baudel, que fala dos processos de funcionamento
interno nas unidades familiares de produção na agricultura. Chayanov, e sua
intensa pesquisa sobre o campesinato russo, não tinha apenas como objetivo
descrever o funcionamento da realidade da agricultura tradicional russa. Mais
do que uma mera descrição, Chayanov tinha um forte discurso político, quando explicita as potencialidades
do campesinato russo em meio ao contexto global da sociedade capitalista
moderna. O eixo central da teoria de chayanov afirmava que a organização da
agricultura familiar na russa é regida por princípios de funcionamento interno
que diferenciavam-se das unidades de produção
capitalista. Essa diferenciação se baseava no fato de que a empresa família, ao
contrário da empresa capitalista, não se organizava sobre a ótica de
apropriação e extração do trabalho alheio. O agricultor familiar
era ao mesmo tempo proprietário e empregador de sua força de trabalho. Outra
diferenciação que o pesquisador russo delimitou foi a relação diferenciada que o
agricultor estabelece com o trabalho, pois é ele próprio que emprega sua força
física e mental nas atividades desenvolvidas na agricultura. Diferentemente no
que acontece com o sistema capitalista, existe um distanciamento em relação ao
trabalho, já que o trabalho físico e mental é empregado sempre por outras
pessoas. O produtor familiar depende da preservação de seu patrimônio
produtivo, ou seja, de assegurar os recursos e meios necessários à sua reprodução e continuidade
social. Outra característica importante da produção familiar é que o rendimento
não é separado em parcelas particulares e autônomas, como acontece no sistema
capitalista, pelo contrario, o rendimento é indivisível, pois nesse sistema não
há como separar o valor do trabalho empregado com a renda gerada pela terra.
Para Chayanov a família camponesa nunca é igual a ela mesma ao longo de sua
existência, pois a família começa com um número determinado de pessoas e vai aumentando e diminuindo ao
longo de sua trajetória. Essa característica demográfica era denominada por
Chayanov como um processo de “decomposição do campesinato”. Desta forma, os
níveis de disponibilidade para o trabalho, a capacidade da força de trabalho e
a magnitude de suas necessidades eram determinadas pela sua composição
familiar. O pensamento de chayanov vai incorporando algumas dimensões politicas
e sociais, e suas reflexões vão
girando em torno de três questões essenciais, a saber: a agricultura se integra
de forma dinâmica ao processo global de acumulação do capital, não sendo
isolada e nem autônoma; a agricultura devera absorver cada vez mais o progresso
técnico, modernizando sua forma de produzir; e as transformações no setor
agrícola se inserem no objetivo de construção de uma sociedade socialista. A tese central de Chayanov vai
mostrar que a agricultura praticada em todo mundo está sendo conduzida cada vez mais pela economia mundial
capitalista, sendo subordinada a seus mandos. A autora desenvolve duas percepções: a primeira conclusão é que a
economia camponesa é percebida como uma forma de organizar a produção, estando
inserida no processo global de reprodução do capital e que tende a desaparecer
com a dominação e o desenvolvimento do capitalismo. A segunda conclusão é que a
concentração vertical do capital concentra e subordina as unidades de produção
familiares, e são mais fáceis de controlar quando são dispersas e independentes. Desta forma, a economia camponesa,
mesmo estando dentro do sistema global de valorização do capital, se reproduz
sobre os princípios gerais de seu funcionamento interno. A grande riqueza da análise de Chayanov sobre as unidades
de produção familiar, o reconhecimento do produtor familiar como agente social
do progresso e legitimá-lo do
ponto de vista social e político.
Chayanov se opõe a coletivização da agricultura, proposta oficial do então governo soviético e propõe a
“autocoletivização”, ou seja,
ele apresentava como proposta o desenvolvimento de “corpos cooperativos”,
substituir a produção camponesa dispersa por formas concentradas de produção. A cooperação existia como uma
arma de luta dos pequenos produtores para sua continuidade e adaptação no
sistema capitalista. Porém, Chayanov pretendia, não apenas propor um mecanismo
de adaptação e sobrevivência dos pequenos agricultores ao sistema capitalista,
mas propor a constituição de uma nova estrutura social, pregando que essa
simples ferramenta se constituía um dos principais componentes do modo
socialista de produção. O
pesquisador russo ainda profeticamente fala o perigo de uma catástrofe social
se a subordinação da agricultura ao processo de desenvolvimento mundial da
sociedade se traduzisse em destruição da vida social no meio rural. Quando mais
o sistema produtivo familiar se submete aos
interesses da não lógica
mercantilista, mais haverá a negação às
pesquisas que reconheçam a importância do funcionamento interno próprio das
unidades de produção familiar. A produção
familiar consiste num setor importante da agricultura, mesmo em países
capitalistas. Algumas hipóteses sobre a agricultura
moderna são expostas. A autora delimita cinco hipóteses: que a unidade de produção familiar é
afetada pelo processo de decomposição
e pela sua diferenciação
interna e demográfica; As mudanças de comportamento na sociedade moderna e as
transformações tecnologias afetam a composição interna da família; o agricultor
começa a se orientar pela sociedade moderna e passa a almejar bens materiais e
culturais disponíveis, ao contrario do passado em que para garantir sua
reprodução social bastava o acesso mínimo vital; o agricultor começa a entrar
no padrão produtivo e tecnológico para acompanhar a demanda produtiva do
mercado; a unidade familiar, pela imposição mercantilista, começa a depender de
fatores diversos para sua existência, como créditos bancários,
pacotes tecnológicos e demais meios que vincula a produção familiar aos
diversos mecanismos do mercado e a não lógica
capitalista.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
A construção dos espaços sociais partindo do princípio que é preciso construir o ser cidadão.
Somos a junção ideológica, genética, simbólica e cultural de tudo no mundo.
Por um lado somos o que escolhemos, por outro somos o que nos foram impostos.
Somos um pouco e muito do mundo... um tanto de tudo visto, lido e vivenciado por nós no mundo social.
sábado, 27 de outubro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Kaiowá/Guarani
Não ao silêncio perante as injustiças.
Não à conformidade.
Não à negação aos povos indígenas.
Não!
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
"Os médicos homens logo entravam em cena para diminuir o brilho do milagre e do mistério da fecundidade e para dizer à mulher que ela continuaria dependente do saber, e do poder masculino. Eles procuravam entender, explicar e catalogar o que a mulher sabia e fazia com naturalidade, apoiada em uma experiência ancestral. Mapeavam o corpo feminino e, um tanto desnorteados e desastrosos, inventavam interpretações para o funcionamento e para os males da vulva, da mestruação, do aleitamento, do útero... era mais uma dominação a ser suportada... o ideal do adestramento completo, definitivo, perfeito, jamais foi alcançado por inteiro. A igreja bem que tentava domar os pensamentos e os sentimentos... mas nem todo mundo aceitava passivamente tamanha interferência..."
(História das Mulheres no Brasil - Págs 52 e 53)
sábado, 20 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Movimentos
Sempre existem pergundas, nas quais as respostas estão na curva de uma rua.
O que ser e fazer quando se perdeu o mapa para se chegar a si mesma?
São momentos de criatividade, deixar de ser o que era e ir em busca de outra opção para si mesma...
A inquietude me movimenta... e é necessária para a chegada da calmaria interna.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
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