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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Vazio de Palavras



Eu sou o que vejo no outro.
Me vejo na escuridão das pessoas, assim como enxergo-me no brilho intenso que lança sobre elas.
Luto para me humanizar quando afirmo existir desertos obscuros na alma, quando busco dialogar com o que não me agrada.
Tenhamos coragem de olhar para dentro para compreender o mundo.
Não há palavra que caiba na dimensão imprevisível da existência e de cada mergulho.
Há coisas que o sentir basta, completando o vácuo do falar.
Deixo aqui o meu sentir silencioso, de quem não sabe traduzir.
Deixo as possibilidades infinitas de quem luta pelo direito de sonhar.
Deixo a vontade profunda de descobrir a si mesma.
Deixo o não lido, o não escrito, apenas o meu sentir.
Deixo aqui o sentimento para ser traduzido como quiser.
Deixo tais possibilidades e volto com o vazio de palavras.
Procurei portas, janelas e todos lugares que me dessem a esperança de saída.
Desde então, vim percebendo que a saída é a entrada,
quando se decide encontrar-se no silencioso mistério sagrado de Deus.

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