O
que seria do aprimoramento sem a dedicação, do discurso sem a prática,
da vitória sem a luta, das boas ideias sem os problemas?
Desde o
primeiro respirar do mundo, onde jamais ninguém imaginou existir,
estamos e somos seres em constante evolução, caminhando para a
perfeição, pelo aprimoramento da vida e pela paz. É necessário lutar,
com base em ideais que vão da partilha justa até a mais complexa lição
da vida, o amor. E que não esqueçamos, no armário das lamentações, nosso
escudo... Aquele que talvez todos tenham, mas muitos não usam, a
esperança.
Somos um país novo, na busca e em luta. Nem tudo é
perfeição, pois nós humanos ainda não chegamos à essa condição. Quanta
caminhada se faz necessário... e não digo isso apenas em terras
tupiniquis.
Basta abrir o livro da história da humanidade e
compreender que países do velho mundo, como Inglaterra, França,
Alemanha, Espanha, Portugal e tantos outros, deixaram marcas que até
hoje encontramos no mundo. Deixaram rastros históricos com manchas de
sangue, exploração e destruição por onde passaram... hoje são
classificados como desenvolvidos, prósperos, livres...
Eles já
passaram o que nós estamos passando. A França, por exemplo, era o país
mais sujo que existia naqueles tempos, sem coleta de resíduos e sem
tratamento de esgoto, e, em pleno Século XXI, proíbe o livre acesso dos
camponeses às sementes crioulas. A Inglaterra ainda não resolveu o
problema dos seus resíduos sólidos, e envia resíduos hospitalares
clandestinamente para países como o Brasil.
Existem muitas
histórias para resgatar e contar, poderíamos ficar horas conversando
sobre tantos e tantos fatos que se escondem por ai, que se perderam no
tempo ou que aconteceram e não se tomou conhecimento. Mesmo assim,
podemos e devemos, em algumas coisas, nos espelharmos nesses países. E
também em outros países do mundo, que não se enquadram na lista oficial
dos ‘países desenvolvidos’, como o Butão, por exemplo, e Cuba, por que
não?! Ensino, saúde, alimentação e moradia eles têm garantidos. Jamais
seremos a cópia de outro(s) país(es). Somos únicos e também possuímos
nossas qualidades.
É dessa forma que vai se dando a construção. É
preciso lutar, sem alimentar discursos odiosos sobre o nosso povo e a
nossa terra. Não estamos no buraco porque todo buraco é assombrosamente
silencioso. Pelo contrário, estamos indo às ruas, de várias formas, por
vários motivos e fazendo zoada. Estamos aqui, resistindo aos choques,
spray de pimenta e balas de borrachas... e nem por isso perco a
esperança em nossa gente.
Que bom que estamos avançando no campo
dialógico, pois há uns anos atrás isso não seria possível. Todos falam,
absurdos até, opinam e até a volta da tão temida ditadura estão
colocando em pauta. Particularmente, é na rua que aprendo sobre democracia e cidadania, mais do que em qualquer outro lugar.
Quantas vezes fui alimentada de esperança... por ter coragem e
disposição de lutar e vivenciar, sem deixar de amar meu país e minha
gente.
Quantas vezes, em meio ao confronto e opressão, fui tomada
por uma vontade louca de unir minhas forças aos milhares que também
lutam, de permanecer enquanto muitos fogem.
Eu sei o porquê e por
quem lutar. E eu insisto, que o povo não é burro, lutemos com ele, por
ele, sem perder a ternura jamais. É preciso analisar os vários discursos
que escutamos por aí, vivenciar a realidade ou pelo menos se projetar
hipoteticamente para essa realidade, e saber, por fim, em que luta se
alinhar e defender. Porque, se não assim fizermos, seremos mais um que
defende interesses individuais de uma minoria burguesa, injusta e
egoísta. Que o discurso do opressor não domine a opinião do oprimido.
Ahhh, esse tão sonhado tempo que buscamos...
É certo que quando chegar esse tempo, já não estarei mais aqui. Mas
serei um tijolo dessa grande obra, um sopro de esperança, o corpo que se
levanta e não se esquiva... Esse sonho maior de ver o Brasil e o mundo
todo um único paraíso.
Saudações Alencarinas.