Se todos nós soubéssemos dos dons que possuímos
secretamente trataríamos logo de nos aventurarmos nas intuições artísticas com
mais freqüência.
Todos nós possuímos um dom, muitas vezes esquecidos na infância, talvez nunca acessados em vida.
Todos nós possuímos um dom, muitas vezes esquecidos na infância, talvez nunca acessados em vida.
Como encontrar e despertar um dom? Seria ele
artístico, filosófico, culinário, matemático? São tantos e diversos que se
soubéssemos jamais nos contentaríamos em sermos apenas um.
Existe uma crença de que os dons são
luzes que brilham na alma de alguns poucos escolhidos. Eu já acredito que o dom
é uma ferramenta de todas as almas. O dom é das pessoas comuns e não apenas de uns poucos
iluminados. Cabe a nós despertá-los ou não. O dom não cabe em conceitos
plásticos, delimitados, padronizados.
A função do despertar de um dom é despertar a própria alma. Uma criança quando desenha desperta o dom da alma
A função do despertar de um dom é despertar a própria alma.
Despertei o dom da escrita
intuitivamente a partir da necessidade absurda de quem sente dor na alma. Curar
a alma é bem diferente de curar o corpo. Porém, da mesma forma que o corpo é
medicado, a alma também possui uma forma particular de se curar. Eu não possuía atestado
médico para as dores da alma, mas a voz da intuição falava constantemente.
Descobri um dom que, além de tudo, me
salvou das trevas da mente. Escrever sempre me salva das páginas viradas de mim
mesma. No começo escrevi um tanto sem jeito, sem forma, sem me importar com
normas e padrões. E foi exatamente isso que mais me atraiu na prática do
escrever. O papel em branco estava lá me esperando, sem julgamentos, eu não
precisava vestir nenhuma máscara porque sabia que naquele momento era apenas eu
comigo mesma. Dali eu não precisava ter medo de ser quem eu era e sou. Se
todos soubessem da liberdade que a escrita traz ao Ser humano, jamais
estaríamos confinados nas limitações da matéria.
Na escrita somos muitos. A cada linha
escrita descobria um pouco mais de mim. Quanto mais papel ofício, mais a quantidade de descobertas a fazer sobre mim. O que me seria desagradável é não encontrar-me no que escrevo. Todos até poderiam não gostar, mesmo assim, eu estaria em paz se o que escrevo me agradasse.
Liberdade, para mim, é ser quem sou e o que quero ser nas linhas escritas deste texto.
É nesse momento que compreendo muito bem quando dizem que o corpo pode até ser aprisionado, mas a mente e as idéias jamais.

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