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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Alô Alô Marciano


O que seria do aprimoramento sem a dedicação, do discurso sem a prática, da vitória sem a luta, das boas ideias sem os problemas?

Desde o primeiro respirar do mundo, onde jamais ninguém imaginou existir, estamos e somos seres em constante evolução, caminhando para a perfeição, pelo aprimoramento da vida e pela paz. É necessário lutar, com base em ideais que vão da partilha justa até a mais complexa lição da vida, o amor. E que não esqueçamos, no armário das lamentações, nosso escudo... Aquele que talvez todos tenham, mas muitos não usam, a esperança.

Somos um país novo, na busca e em luta. Nem tudo é perfeição, pois nós humanos ainda não chegamos à essa condição. Quanta caminhada se faz necessário... e não digo isso apenas em terras tupiniquis.

Basta abrir o livro da história da humanidade e compreender que países do velho mundo, como Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Portugal e tantos outros, deixaram marcas que até hoje encontramos no mundo. Deixaram rastros históricos com manchas de sangue, exploração e destruição por onde passaram... hoje são classificados como desenvolvidos, prósperos, livres...

Eles já passaram o que nós estamos passando. A França, por exemplo, era o país mais sujo que existia naqueles tempos, sem coleta de resíduos e sem tratamento de esgoto, e, em pleno Século XXI, proíbe o livre acesso dos camponeses às sementes crioulas. A Inglaterra ainda não resolveu o problema dos seus resíduos sólidos, e envia resíduos hospitalares clandestinamente para países como o Brasil. 

Existem muitas histórias para resgatar e contar, poderíamos ficar horas conversando sobre tantos e tantos fatos que se escondem por ai, que se perderam no tempo ou que aconteceram e não se tomou conhecimento. Mesmo assim, podemos e devemos, em algumas coisas, nos espelharmos nesses países. E também em outros países do mundo, que não se enquadram na lista oficial dos ‘países desenvolvidos’, como o Butão, por exemplo, e Cuba, por que não?! Ensino, saúde, alimentação e moradia eles têm garantidos. Jamais seremos a cópia de outro(s) país(es). Somos únicos e também possuímos nossas qualidades.

É dessa forma que vai se dando a construção. É preciso lutar, sem alimentar discursos odiosos sobre o nosso povo e a nossa terra. Não estamos no buraco porque todo buraco é assombrosamente silencioso. Pelo contrário, estamos indo às ruas, de várias formas, por vários motivos e fazendo zoada. Estamos aqui, resistindo aos choques, spray de pimenta e balas de borrachas... e nem por isso perco a esperança em nossa gente.

Que bom que estamos avançando no campo dialógico, pois há uns anos atrás isso não seria possível. Todos falam, absurdos até, opinam e até a volta da tão temida ditadura estão colocando em pauta. Particularmente, é na rua que aprendo sobre democracia e cidadania, mais do que em qualquer outro lugar.

Quantas vezes fui alimentada de esperança... por ter coragem e disposição de lutar e vivenciar, sem deixar de amar meu país e minha gente.
Quantas vezes, em meio ao confronto e opressão, fui tomada por uma vontade louca de unir minhas forças aos milhares que também lutam, de permanecer enquanto muitos fogem.

Eu sei o porquê e por quem lutar. E eu insisto, que o povo não é burro, lutemos com ele, por ele, sem perder a ternura jamais. É preciso analisar os vários discursos que escutamos por aí, vivenciar a realidade ou pelo menos se projetar hipoteticamente para essa realidade, e saber, por fim, em que luta se alinhar e defender. Porque, se não assim fizermos, seremos mais um que defende interesses individuais de uma minoria burguesa, injusta e egoísta. Que o discurso do opressor não domine a opinião do oprimido.

Ahhh, esse tão sonhado tempo que buscamos...

É certo que quando chegar esse tempo, já não estarei mais aqui. Mas serei um tijolo dessa grande obra, um sopro de esperança, o corpo que se levanta e não se esquiva... Esse sonho maior de ver o Brasil e o mundo todo um único paraíso.

Saudações Alencarinas.

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