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quarta-feira, 31 de outubro de 2012


Esse texto divulga os pensamentos do pesquisador russo Alexander V. Chayanov, a partir do texto: Em Busca da Modernidade Social - Uma Homenagem a Alexander V. Chayanov da autora Maria de Nazareth Baudel, que fala dos processos de funcionamento interno nas unidades familiares de produção na agricultura. Chayanov, e sua intensa pesquisa sobre o campesinato russo, não tinha apenas como objetivo descrever o funcionamento da realidade da agricultura tradicional russa. Mais do que uma mera descrição, Chayanov tinha um forte discurso político, quando explicita as potencialidades do campesinato russo em meio ao contexto global da sociedade capitalista moderna. O eixo central da teoria de chayanov afirmava que a organização da agricultura familiar na russa é regida por princípios de funcionamento interno que diferenciavam-se das unidades de produção capitalista. Essa diferenciação se baseava no fato de que a empresa família, ao contrário da empresa capitalista, não se organizava sobre a ótica de apropriação e extração do trabalho alheio. O agricultor familiar era ao mesmo tempo proprietário e empregador de sua força de trabalho. Outra diferenciação que o pesquisador russo delimitou foi a relação diferenciada que o agricultor estabelece com o trabalho, pois é ele próprio que emprega sua força física e mental nas atividades desenvolvidas na agricultura. Diferentemente no que acontece com o sistema capitalista, existe um distanciamento em relação ao trabalho, já que o trabalho físico e mental é empregado sempre por outras pessoas. O produtor familiar depende da preservação de seu patrimônio produtivo, ou seja, de assegurar os recursos e meios necessários à sua reprodução e continuidade social. Outra característica importante da produção familiar é que o rendimento não é separado em parcelas particulares e autônomas, como acontece no sistema capitalista, pelo contrario, o rendimento é indivisível, pois nesse sistema não há como separar o valor do trabalho empregado com a renda gerada pela terra. Para Chayanov a família camponesa nunca é igual a ela mesma ao longo de sua existência, pois a família começa com um número determinado de pessoas e vai aumentando e diminuindo ao longo de sua trajetória. Essa característica demográfica era denominada por Chayanov como um processo de “decomposição do campesinato”. Desta forma, os níveis de disponibilidade para o trabalho, a capacidade da força de trabalho e a magnitude de suas necessidades eram determinadas pela sua composição familiar. O pensamento de chayanov vai incorporando algumas dimensões politicas e sociais, e suas reflexões vão girando em torno de três questões essenciais, a saber: a agricultura se integra de forma dinâmica ao processo global de acumulação do capital, não sendo isolada e nem autônoma; a agricultura devera absorver cada vez mais o progresso técnico, modernizando sua forma de produzir; e as transformações no setor agrícola se inserem no objetivo de construção de uma sociedade socialista. A tese central de Chayanov vai mostrar que a agricultura praticada em todo mundo está sendo conduzida cada vez mais pela economia mundial capitalista, sendo subordinada a seus mandos. A autora desenvolve duas percepções: a primeira conclusão é que a economia camponesa é percebida como uma forma de organizar a produção, estando inserida no processo global de reprodução do capital e que tende a desaparecer com a dominação e o desenvolvimento do capitalismo. A segunda conclusão é que a concentração vertical do capital concentra e subordina as unidades de produção familiares, e são mais fáceis de controlar quando são dispersas e independentes. Desta forma, a economia camponesa, mesmo estando dentro do sistema global de valorização do capital, se reproduz sobre os princípios gerais de seu funcionamento interno. A grande riqueza da análise de Chayanov sobre as unidades de produção familiar, o reconhecimento do produtor familiar como agente social do progresso e legitimá-lo do ponto de vista social e político. Chayanov se opõe a coletivização da agricultura, proposta oficial do então governo soviético e propõe a “autocoletivização”, ou seja, ele apresentava como proposta o desenvolvimento de “corpos cooperativos”, substituir a produção camponesa dispersa por formas concentradas de produção. A cooperação existia como uma arma de luta dos pequenos produtores para sua continuidade e adaptação no sistema capitalista. Porém, Chayanov pretendia, não apenas propor um mecanismo de adaptação e sobrevivência dos pequenos agricultores ao sistema capitalista, mas propor a constituição de uma nova estrutura social, pregando que essa simples ferramenta se constituía um dos principais componentes do modo socialista de produção. O pesquisador russo ainda profeticamente fala o perigo de uma catástrofe social se a subordinação da agricultura ao processo de desenvolvimento mundial da sociedade se traduzisse em destruição da vida social no meio rural. Quando mais o sistema produtivo familiar se submete aos interesses da não lógica mercantilista, mais haverá a negação às pesquisas que reconheçam a importância do funcionamento interno próprio das unidades de produção familiar. A produção familiar consiste num setor importante da agricultura, mesmo em países capitalistas. Algumas hipóteses sobre a agricultura moderna são expostas. A autora delimita cinco hipóteses: que a unidade de produção familiar é afetada pelo processo de decomposição e pela sua diferenciação interna e demográfica; As mudanças de comportamento na sociedade moderna e as transformações tecnologias afetam a composição interna da família; o agricultor começa a se orientar pela sociedade moderna e passa a almejar bens materiais e culturais disponíveis, ao contrario do passado em que para garantir sua reprodução social bastava o acesso mínimo vital; o agricultor começa a entrar no padrão produtivo e tecnológico para acompanhar a demanda produtiva do mercado; a unidade familiar, pela imposição mercantilista, começa a depender de fatores diversos para sua existência, como créditos bancários, pacotes tecnológicos e demais meios que vincula a produção familiar aos diversos mecanismos do mercado e a não lógica capitalista.

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