Foi nessa sublime época do ano que o povo do sol despertou.
Faziam anos que as pétalas do mundo adormeciam.
Não se sabe ao certo como aconteceu, mas se compreende muito bem o despertar.
Não precisou de explicações... as pétalas já desabrochavam no coração, num processo íntimo, interno e que só agora se tornou coletivo.
Oh doce primavera!
Vem com teu sopro mais libertador, porque a luta é forma de oração.
Vem com mil cores abrilhantar os corações daqueles que usam a luta como ferramenta de paz.
São muitos despertares, cores, formatos, que quase não consigo acompanhar.
Eu sei que essas diferenças se unem para uma lei maior: o Amor.
Na concentração, eu observava tudo, as movimentações na praça central, os olhares, as frases, as risadas, o céu...
Era dia ainda, mas meu coração pulsava forte quando contemplando estrelas.
Foi nessa agitação acalentadora da alma que conheci Nino, um garoto com suas 12 primaveras, misturado alegremente aos demais... mais uma flor nesse grande jardim da vida.
Nino: Ei! Será que eles vão me filmar?
Eu: Acredito que sim! Porque?
Nino: Eu disse a minha mãe que ia pra aula, mas acabei por ficar aqui.
Eu: Foi mesmo?
Nino: Foi! É mais legal.
Eu: Por quê?
Nino: Aqui tem mais vida.
(refleti um pouco e de imediato me lembrei do meu tempo de escola)
Eu: É verdade! Sua aula hoje é aqui! E a matéria de hoje é sobre cidadania.
As escolas não despertam, adormecem.
A rua ensina e deve ser sempre palco de diálogo.
Nesse mesmo dia aprendi com o Nino, e com as demais pessoas que ali multipliquei.
É preciso uma grande mudança na forma de ensino, uma mudança de base na educação,
que insira as famílias.
Acredito que isso irá contribuir nas demais mudanças que sonhamos.
São nesses encontros inesperados que fomento minha fé pela humanidade.

Não importa o na praça, diante das lentes, tanto quanto o que se passa no momento nas mentes.
ResponderExcluirGK
Boa Gk.
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